Exposição de...

mostra fotográfica, aquarela em lenço, arte corporal, recital de poesias e musicalidade.

Um breve relato...

O perfume da flor de plástico
Fenomenologia em...
Mostra fotográfica, aquarela em lenço, arte corporal, recital de poesia e musicalidade.

"Aqui antigamente houve roseiras"
Então as horas
Afastam-se estrangeiras,
Como se o tempo fosse feito de demoras.


Musicalidade
LAKMÉViens, Mallika, les lianes en fleurs
Jettent déjà leur ombre
Sur le ruisseau sacré qui coule,
calme et sombre,
Eveillé par le chant des oiseaux tapageurs!


É manifestação de amor,
É o altar da beleza,
Um ponto ínfimo de uma visão imensa.

Um breve relato...
Estive, por algum tempo, buscando formas de expressões artísticas as quais pudesse desenrolar a criação de um projeto que pretende expressar, por uma composição de arte corporal, imagem e poesia, uma linha expressiva introdutória.
O interesse na fotografia e minha paixão por dança exaltaram-me os sentidos quando me deparei com o projeto fotográfico de Francisco Hurtado, um fotógrafo Valenciano, Inventário de los jardines olvidados onde, a partir de sua visão realista, propõe o nascimento do belo, a proposta ao renascimento, uma introdução à transfiguração do material.
A união dos instintos realizou o nascimento de O perfume da flor de plástico, nome inspirado por uma noite de rota cultural paulista com meu irmão Eduardo Lang, o Tato.
A idéia principal desta composição nasceu de um estudo pessoal referente e baseado em dança contemporânea para manifestar uma criação em sentidos.
Em O perfume... busco a construção de uma corporalidade, um pensamento estético unindo técnicas somáticas e dança para desarrolhar a olhos nus o sentido real de um objeto em questão; aqui, a composição da fotografia.
O tema se expandiu pela questão da superficialidade dos olhos onde o artista dispõe sua insatisfação à forma de exposição da arte fotográfica, em questão ao entendimento de sua idéia e, com essa informação sai em busca de um enlace entre nossos mundos.
Como referência, encontrei, junto com minha irmã Adalgisa Carneiro, imensa estudiosa de filosofia e métodos aplicativos e pedagógicos e, também, bailarina formada e professora de dança, uma correlação entre teoria e expressão corporal intitulada A poética do espaço de Gastón Bachelard.
Esta temática nos convida a experimentar o material a partir da imposição teoricamente improvável de adentrarmos a ele, de experimentarmos e vivenciarmos em uma concepção fenomenológica.
O que o projeto pretende é a dissolução do material, assim como a proposta da arte fotográfica, a que as pessoas possam introduzir-se à arte e interpretá-la desde dentro dela mesma. De que se realize uma inclusão consciente do sentido da criação.

Busco evocar dois temas:
1. Da questão da obra. De que seja vista do papel fotográfico para dentro, induzindo a um quase inconsciente coletivo, a adentrar ao mundo do artista no momento em que projeta a lente de sua máquina ao chão. Qual sua intenção? Qual seu sentido?
Não podemos buscar a resposta na composição contextual externa à obra e sim interna, entre suas formas, cores, disposições e, para que seja uma experiência deliciosa, poeticamente.
2. Da questão metafórica. De que se crie um contexto real através da expressão corporal dos bailarinos, instruídos pela leitura das poesias de Eduardo Lang, referenciadas à obra fotográfica, uma alusão ao irreal tão real da beleza que permanece como o amor ou a memória dele. O próprio nome faz uma metáfora quanto ao real, onde o perfume da flor de plástico é parte sensitiva do material. O que imaginamos!
Junto com minhas pesquisas estive buscando referências na obra literária de René Descartes, Meditaciones Metafísicas, onde esse fundador da filosofia moderna nos aponta o fato de questionarmos o real sensível somente aos nossos sentidos conhecidos. Ele nos põe a questionar se o que imaginamos não seria de fato o real do que possa vir a ser real. Onde podemos nos encontrar se abrirmos esse mundo imaginativo e tentar buscar essa verdade de O perfume da flor de plástico.
A investigação decorre de um conceito poético à transposição para a expressão corporal.
Momentos reflexivos junto ao fotógrafo:
Hablamos de la esencia de cómo del lodo del pantano surge la perfección del loto, de cómo estas flores vencen el tiempo del abandono bajo la protección de la podredumbre y, gracias a ella y al olvido, nace la belleza.
Que no nos importe el olvido, pues los jardines muestran que la belleza existe en él.

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