Exposição de...
Francisco Hurtado...
Li e chorei
Eu escrevi um poema triste
mas cheio de flores
e de perfume de certas dores
que me fazem chorar e sorrir.
Perdido, nele me achei
mas se ele falava de alguém,
juro, nem sei,
ou de certos amores vividos.
Li alegre este poema
com um olhar dado ao tempo,
abraçado
Lindos
Eu não escrevi este poema,
foi minha mão quem o fez
vindo d´algum coração triste
e se assim fora, não sei,
mas o mais importante é que o li
e chorei.
Autor desconhecido
“Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio ou
flecha de cravos que propagam o fogo: te amo como se
amam certas coisas escuras, secretamente, entre a
sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de
si, escondida, a luz daquelas flores, e graças a teu
amor vive escuro em meu corpo o estreitado aroma que
subiu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde, te amo
diretamente, sem problemas nem orgulho: assim te amo
porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és, tão perto
que tua mão sobre o meu peito é minha, tão perto que
se fecham teus olhos com meu sono”.
Pablo Neruda
"Por ti junto aos jardins cheios de flores novas me
doem os perfumes da primavera.
Esqueci o teu rosto, não me lembro de tuas mãos, como
beijavam os teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos
parques, as brancas estátuas que não tem voz nem
olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, me esqueci dos teus
olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua
lembrança imprecisa. Estou perto da dor como uma
ferida, se ma tocas me farás um dano irremediável.
Não me lembro mais do teu amor e, no entanto te
adivinho atrás de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes de estio:
por ti volto a espreitar os signos que precipitam os
desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem.”
Pablo Neruda
O ar gelado invade meus pulmões
por toda a eternidade
balões, inflados pela liberdade
As sombras das saudades do futuro
se lançam contra o muro acolchoado
sem (absurdo!) ruído
Encanto-me com as imagens do mercado
Espadas e chips lado a lado
vendidos por judeus de olhos puxados
A mente trabalha facilmente
alimentada pelo caleidoscópio de templos
(Amo os belos e os não tão belos assim)
Defronte à fogueira megascreen
estórias antiqüíssimas são contadas
(imaginadas só pra mim)
E o soluço e o sorriso da morena-curumim
convidam a um abraço
sem fim
Eduardo Lang
A rosa em botão
Da rosa vinda há milênios
Só se nota o botão
Abriu-se e fechou muitas vezes
Sem deixar de ser botão
Se leva leve pétala
Na pele em flor
Olhar de negro mar
Quer saber
Como rosa veio a ser
Da chaga aberta em batismo
Avisto fogo dentro do fogo
Espinhos não vejo, se os há são
Por dentro (para não ferir a mão
que à rosa toca)
Como vem a rosa vai
Esvai-se líquida entre lá e cá
O tremor dentro do tempo
Grata vida que vibra
Sístole-diástole do coração das coisas
Eduardo Lang
musicalidade...
“Por ti junto aos jardins cheios de flores novas me doem os perfumes da primavera...” Neruda.
